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"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"
Assunto - contemplação idílica do sujeito poético com a  amada à beira do rio. A repetição de formas verbais no imperativo e no presente do conjuntivo, com valor exortativo, põe em evidência o incitamento;o sujeito poético procura converter Lídia à sua filosofia de vida de modo a conquistar a felicidade possível. 


Conclui, porém, que o melhor será abdicar das emoções, recusar o prazer, para não 
sofrer. 
Estrutura do texto
4 momentos 
1.º momento (estrofes 1 e 2)-  a brevidade, a fugacidade da vida: 
metáfora : a água do rio que corre irreversível em direção ao mar representa metaforicamente a passagem inexorável do tempo que tudo devora
- a inutilidade de qualquer compromisso; 
- o domínio da razão sobre a emoção, meio de defesa contra o sofrimento; 
- elementos clássicos: o ambiente bucólico, o nome “Lídia”, o Fado. 
2.º momento (estrofes 3 e 4) a vanidade, inutilidade de qualquer compromisso presentes
no  enlaçar e desenlaçar das mãos em sinal da recusa de qualquer compromisso afetivo; 
- a recusa consciente de todo e qualquer sentimento, emoção em excesso (amores, ódios, paixões, invejas, cuidados); 
- inexorabilidade da morte; é a única certeza no percurso existencial (“ ... o rio sempre correria, / E 
sempre iria ter ao mar”). 
3.º momento (estrofes 5 e 6) a busca da serenidade:
- construção de uma conduta de vida: viver de forma serena e calma,  controlando as nossas emoções e sentimentos; 
- a recusa do amor sensual, porque ele é motivo de desassossego. 
4.º momento (estrofes 7 e 8) a resignação, aceitação da morte: 
a aceitação pacífica, sábia, da morte é consequência da “desistência” do eu lírico perante a vida. 
A morte não será motivo de sofrimento, porque nunca se “viveu” com euforia, sentimento.  
Como a vida passa, corre rumo a um fim, não devemos assumir compromissos, devemos antes procurar a tranquilidade. Deste modo, chegamos à morte com desprendimento relativamente à vida terrena, a partida não será dolorosa.

Filosofia de vida/regras de conduta- Epicurismo triste e Estoicismo 
O Epicurismo,  carpe diem - o prazer caminho da felicidade, viver o presente, em oposição à moral 
estóica que proclama que a virtude, a disciplina e a razão devem orientar a conduta humana.
A poesia de Reis concilia, de forma original, duas escolas filosóficas: para R. Reis, a vida deve ser vivida dia-a-dia, mas de forma contida e controlada. 
Reis e Caeiro
 R. Reis procura imitar o mestre na sua calma aceitação da realidade. No entanto, enquanto  Caeiro aceita a vida instintivamente, Reis empreende um enorme esforço de autodisciplina.

Aspetos formais, influência do Classicismo:
- a forma do poema, estrofes (ode) e métrica; 
-  sintaxe latinizante; 
- mitologia, nomes da tradição grega e latina;
- o tópico da aurea mediocritas;
- Carpe diem
Aspetos simbólicos 


rio / “barqueiro” /óbulo"vida / morte: alusão ao barqueiro da mitologia, Caronte, que transportava
os mortos, através do rio Letes;
Fado : força inexorável, superior a homens e a deuses;
“flores” vida ( efemeridade) ;
“sombra”/"sombrio": morte.

Ideologia do poema (e de Ricardo Reis) em confronto com a ideologia de Caeiro e de Pessoa- 
-ortónimo 

O  pormenor que liga a ideologia deste poema a Alberto Caeiro é a contemplação da natureza. 
Mas logo nas duas primeiras estrofes se verifica que as perspetivas de contemplação dos dois poetas 
são diferentes: Reis vê a natureza com a inteligência ( verbos que traduzem operações mentais, 
 como “aprendamos”, “pensemos”). 
 Caeiro vê a natureza com os sentidos. 
Reis e Caeiro só estão de acordo na aceitação, sem reservas, do mundo , das coisas, vivendo emmediania, sem ambições (tópico clássico da aurea mediocritas),  “áurea mediania”,  apreço pela vida em contacto com a Natureza. 
O Epicurismo e a sua máxima (o carpe diem) consideram o prazer como o mais alto 
dos bens, defendendo viver o dia-a-dia  divergindo da moral estóica que proclama que a virtude, a disciplina e a razão devem orientar a conduta humana.
 A poesia de Reis sintetiza, de forma original, duas escolas, a sua filosofia de vida é epicurista mas temperada de estoicismo como afirma J. P. Coelho.

 Ricardo Reis e F. Pessoa-ortónimo 
Semelhanças com a poesia do ortónimo: 
- A inteligência/o pensamento: numa visão de conjunto, o facto de se estabelecer uma conduta de vida, uma ética calculada, cuidadosamente organizada, intelectualmente, situa o texto na linha de eleição de Pessoa, o poeta da inteligência,  que sobrepõe a razão ao coração. 
- Temáticas como a do “rio”, metáfora da irreversibilidade da vida; da infância como idade ideal 
estão presentes na poesia do ortónimo. 
A carência de ideias dogmáticas (a ausência da fé), que, em Reis, por exemplo, se revela nos 
versos “(...) não cremos em nada, / Pagãos inocentes da decadência”, está também presente neste 
verso do ortónimo: “Não procures nem creias: tudo é oculto!”. 




MARCAS NEOCLÁSSICAS     "Não tenhas nada nas mãos"                                                   ...
  • Vocabulário e sintaxe alatinados, eruditos
  • “Minos”, “óbolo”, “Átropos”, “fanem”,
  • “Que Átropos to não tire?”, posição do pronome pessoal.
  • Discurso aforístico, sentencioso- são frequentes os conselhos sob a forma de máximas, sentenças na procura de uma conduta de vida que permita a ausência de dor no momento da morte. “Abdica senta-te ao sol, sê rei de ti próprio”.
  • Referências simbólicas e mitológicas:
  • “Óbolo”: a moeda que os mortos levavam para pagar a travessia para o reino dos mortos.
  • “Átropos” uma das três parcas que comandavam os destinos dos deuses e dos homens, cortava o fio da vida (morte). 
  • Cloto, Láquesis e Átropos.
  • “Minos”: rei de Creta, filho de Zeus e Europa, tornou-se um dos juízes dos mortos, condenando-os em função da culpabilidade de cada um.
  • “Louros”: folhas e coroas de louros- símbolo de consagração (dos atletas após as suas vitórias) dos poetas da Arcádia .
  • Estoicismo- a resistência sábia e altiva do homem à dor através do autodomínio, a abdicação, a passividade.)
  • Epicurismo- “carpe diem”, a moderação e a contenção dos prazeres.
  • O fatalismo: morte, a passagem do tempo, a efemeridade da vida.